Empreendedorismo e empreendedor tornaram-se vocábulos relativamente comuns, empregados tanto por pessoas leigas quanto por especialistas. O tema passou a ter importância para vários públicos, desde os governantes, políticos, educadores, professores, pesquisadores até os pais, famílias, desempregados e jovens.
Esta temática tem sido debatida e rebatida. As empresas também passaram a enfatizar o intraempreendedorismo, quer em termos de competências desejadas de seus colaboradores, quanto de uma cultura, de uma forma de se estruturar e estimular as iniciativas que possam se traduzir em novas oportunidades e em valor agregado.
Fala-se que mesmo aqueles que não encontram oportunidades de serem contratados como empregados devam empreender, tomando assim as rédeas da gestão de sua capacidade de trabalho, para o que devem localizar formas e maneiras de transformar insumos em produto vendável ou mesmo no oferecimento de serviços.
Mas, parece que em todos os casos fica no ar a questão central do que é ser um empreendedor. Basta ter iniciativa, ir à luta e, por exemplo, reunir capital, adquirir algo que se possa revender, como fazem os feirantes? Ou comprar os ingredientes necessários para fazer tapioca e ir vender na praia ou nas ruas? Basta acreditar que cada vez mais as pessoas precisam de cuidar de si mesmas, e assim, procurar um curso de massagem, e depois oferecer-se para as fazer?
Ou é necessário mais? Vislumbrar a oportunidade, ter a idéia de oferecer um produto novo, diferente, ou um serviço diferente, inovador. E, para isto, levantar informações, procurar estudar o mercado, antever de que forma pode-se organizar o negócio, verificando todos os recursos necessários, projetando de que forma conquistar os clientes e o quanto se necessita conquistar para viabilizar o negócio. E envolvendo toda a colaboração necessária, desde parceiros, fornecedores, investidores etc., se arriscando e empenhando para implementá-lo.
Então, para ser empreendedor há obrigatoriedade de ser o fundador do negócio? Vamos lembrar dos casos em que o fundador não foi aquele que de fato percebeu todo o potencial do negócio, ou percebeu que mudanças deveriam ser feitas para que viesse a deslanchar. E, que pode ter sido um dos herdeiros (veja caso da Drogaria São Paulo, a Vinícola Salton etc.), e em outros casos foi quem o adquiriu que conseguiu de fato promovê-lo.
Basta então ter um negócio próprio para ser denominado empreendedor? Ah! Não, pois podemos pensar que há indivíduos que também tem iniciativa, manifestam grande capacidade de envolver toda sorte de pessoas que ajudem a concretizar um trabalho social voltado ao preenchimento de carências existentes na sociedade. Pode-se pensar aqui em fundadores de Associações, Fundações, ONGs, Cooperativas etc. Basta lembrar casos de pessoas que se voltaram desde a organizar catadores de lixo, a prover auxílio, assistência a pessoas com câncer, AIDS, jovens mães solteiras, droga adictos, etc. ou a promover oportunidades educacionais e culturais para regiões ou estratos sociais carentes.
E podemos acrescentar ainda que há empreendedores religiosos, que tanto fundam quanto organizam e gerem instituições / organizações no sentido de divulgar, disseminar a religião, e/ou também promover atividades assistenciais, educacionais ou culturais à semelhança com que acabamos de citar. (Estamos nos referindo aqui aos casos em que verdadeiramente o propósito delas sejam estes que listamos).
Esgotamos? Ainda não: e se pensarmos naqueles colaboradores que dentro de empresas e organizações lutam para levar à frente suas idéias para novos produtos ou serviços, ou mesmo para o aperfeiçoamento dos que já existem. Seriam também empreendedores? Há entre eles os que se arriscam e fazem de tudo para conseguir apoio, recursos, adesão à sua idéia, comprometendo-se com sua viabilização e implantação. Em casos de sucesso, maravilha! E, se der errado? Pode ser que venham a sofrer conseqüências não tão benéficas.
Ah! Então somente são empreendedores aqueles que agem na iniciativa privada, ou na esfera social, e eventualmente até religiosa. Não, espera!. E, na esfera política há os que empreendem? Sim, e aqui podemos lembrar que até existe uma premiação de Prefeitos Empreendedores promovido pelo Sebrae, para incentivar aos administradores que promovam ações que resultem em maior desenvolvimento econômico e na sustentabilidade (veja o link
Vejam então que empreendedor se refere à diferentes possibilidades de ter iniciativa, de vislumbrar oportunidades, agindo sobre elas, definindo objetivos, comprometendo-se, assumindo a responsabilidade, acreditando nos resultados positivos, convencendo aos que estão a sua volta, fazendo com que cooperem, ajudem e se envolvam. Refere-se à persistência, à busca de qualidade e de inovação, ao assumir risco desde que devidamente analisado, ao planejamento e acompanhamento dos resultados. Todos estes comportamentos se colocados em marcha, não importa em que área ou ambiente a pessoa estiver atuando, ela provocará resultados que farão com que seja identificada como empreendedora, podendo apenas diferir no grau de empreendedorismo manifestado.